sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Amor Antigo.


O amor antigo vive de si mesmoNão de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
Mas do
destino vão negar a sentença.
O amor antigo tem raízes fundas,
Feitas de sofrimento e
beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
E por estas suplanta a natureza.
Se em toda parte o tempo desmorona.
Aquilo que foi grande e deslumbrante,
O antigo amor, porém, nunca fenece
E a cada dia surge mais
amante.
Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
E resplandece no seu canto obscuro,
Tanto mais velho quanto mais amor.
(Carlos Drummond de Andrade)

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